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11/08/2009
"Nosso próprio futuro está em jogo. Se não se faz nada, perderemos as praias do Caribe, os glaciares de Sudamérica, os bosques da Amazônia, as zonas urbanas costeiras e grande parte do patrimônio que nos dá a qualidade de vida que temos hoje".
Assim opina Carlos Rymer, o coordenador da campanha denominada "350Dominicana", um movimento fundamentalmente de jovens com um fim claro: pedir ao presidente Leonel Fernández que convoque uma cume regional de mandatários sobre mudança climática.
Ficam só quatro meses antes da cume de Copenhague em dezembro, que procurará um novo acordo internacional que substitua ao de Kioto. E Rymer crê que a mudança climática "é um tema onde os países da region não podem estar divididos, porque qualquer tratado os beneficiará a todos via financiamento para o desenvolvimento de energias renováveis e reflorestamento".
BBC Mundo falou com o jovem dominicano, quem se graduou em Desenvolvimento Sustentável na Universidade de Cornell e recentemente terminou uma Maestria de Administração Pública em Políticas e Ciências Ambientais na Universidade de Colúmbia, em Estados Unidos.
Por que surgiu 350Dominicana? Qual é o objetivo?
350Dominicana surgiu pela necessidade de levar o movimento mundial chamado 350 a Republica Dominicana e ao resto de América Latina e o Caribe.
O objetivo da campanha, que começou em junho, é convencer ao Presidente Leonel Fernández a tomar um papel importante na região, chamando a seus homólogos a uma cume regional sobre mudança climática.
A idéia é que se pactue ir a Copenhague com uma voz forte e unida que procure um tratado justo e efetivo, com 350 partes por milhão de dióxido de carbono (CO2) como objetivo.
Por que 350?
350 representa a concentração de CO2 em partes por millon (ppm) na atmosfera, que impedirá mudanças climáticas catastróficos.
Em que fonte se baseia essa afirmação?
Segundo um estudo conduzido por cientistas da NASA, (ver vínculo ao estudo à direita) se a concentração de dióxido de carbono ultrapassa 350 ppm, a temperatura média global incrementará suficientemente para conduzir à aceleração de emissões de gases de efeito invernadouro por fontes tais como os bosques tropicais, os oceanos e o gelo permanente do Ártico.
Ou seja, se não se mantém a 350ppm, as emissões naturais globais se acelerarão sem controle e causarão um incremento na temperatura média mundial ainda mais elevado do previsto.
A subida do nível do mar é a ameaça maior à qualidade de vida em Republica Dominicana.
É por esta razão que existe o movimento internacional 350. A realidade é que as metas que a maioria dos países mais influentes hoje estão urgindo -do que se limite a concentração de dióxido carbono a 450-550ppm- não serão suficientes para evitar os danos catastróficos que poderia trazer uma mudança climática acelerado.
A quem está dirigida 350Dominicana?
350Dominicana está dirigida a toda a população dominicana, incluindo os dominicanos no exterior. Queremos que todos os dominicanos conheçam os efeitos que a mudança climatico trará a República Dominicana.
Que impacto está tendo e se prevê que terá no futuro a mudança climática em República Dominicana?
A mudança climática já esta afetando o país drasticamente. Segundo um estudo que eu mesmo realizei na Universidade de Colúmbia (ver vínculo à direita), a disponibilidade de água está caindo no país por causa da intensificação das secas e a evapotranspiración, bem como a queda da precipitacion total anual. Especificamente, o estudo adverte que terá uma crise severa de água fresca no país no final do século por causa da mudança climática.
República Dominicana também se viu afetada por tormentas tropicais mais intensas nos ultimos anos. E alguns aquíferos estão sendo invadidos por água salgada devido à subida do nível do mar. Tudo isto terão um impacto severo na produção agrícola.
Só se realizaram cumes econômicas ou políticas com os líderes da região, mas nenhuma que trate um tema de alta importância regional como o é a mudança climática.
E ademais teremos do que enfrentar a subida do nível do mar. Em nosso país, que depende do turismo e onde a maioria das zonas urbanas estão nas costas, ésto terá um impacto significativo. A subida do nível do mar é a ameaça maior à qualidade de vida em República Dominicana.
Por que impulsionam uma cume regional como essencial? Por que crêem que América Latina deveria levar uma voz unida a Copenhague?
@Ficar
Recentemente, os líderes políticos de nossa região puderam influir nesses países de maneira mais direta. Por exemplo, já podemos ver o atendimento dado à região pelo novo presidente estadounidense Barack Obama via suas reuniões com os líderes regionais.
Portanto, é mais fácil para nós conseguir do que nossos próprios líderes influam nos países mais responsáveis. A melhor forma de fazê-lo é mediante uma cume regional onde os líderes possam pôr-se de acordo e preparar uma lista de requisitos do que os demais países terão do que conformar para chegar a um acordo.
Seria ademais uma forma de criar mais união na região. Por agora, só se realizaram cumes econômicas ou políticas com os líderes da região, mas nenhuma que trate um tema de alta importância regional como o é a mudança climática. É hora de que a região também lhe de importância a tais temas.
É viável que países com problemáticas diferentes como México, Brasil ou Bolívia se unam às nações centroamericanas com uma sóla voz?
Creio que neste caso sim o é. A razão é que a mudança climática é um tema que afetará a toda a região e não foi causado em grande magnitude por América Latina e o Caribe.
É um tema onde os paises da region não podem estar dividos, porque qualquer tratado os beneficiará a todos via financiamento para o desenvolvimento de energias renováveis e para o reflorestamento.
Já estamos vendo signos de compromisso com planos de reduzir emissões de gases de efeito invernadouro em México, Brasil, Costa Rica, República Dominicana e Argentina. Muitos destes mesmos países estão pondo muita confiança no desenvolvimento de empregos no setor de energia limpa e serviços ambientais.
Que esperam do presidente Leonel Fernández?
Estamos-lhe pedindo ao Presidente Leonel Fernández que tome um papel de liderança. Isto quer dizer que ele deve convocar a seus homólogos da região a uma cume regional para tratar o tema antes da reunião em Copenhague.
Nosso presidente foi um líder neste campo ao impulsionar uma Lei de Incentivos às Energias Renováveis.
Que vias e novos meios em internet usam para difundir a mensagem?
Para difundir nossa mensagem contamos com a página principal, 350dominicana.org. Também temos uma presença em redes sociais, tais como Ning, Facebook, YouTube, Twitter, MySpace, Hi5, Bebo, Sonico e Shutterfly.
Também estamos coletando números de celulares onde enviaremos alertas de ações que podem tomar desde um celular. Estamos juntando fotos e videos de dominicanos com uma mensagem direta ao presidente Leonel Fernández com o número "350." E já começamos a difundir a mensagem sobre o Dia Internacional de Ação Climática que se levará a cabo o 24 de cctubre.
Que resposta teve a campanha até agora?
Tivemos um grande apoio, especialmente com a juventude dominicana. Já conseguimos uma presença na imprensa nacional e recebemos fotos e videos de muitos dominicanos. Também contamos com organizações não governamentais em várias cidades, tal como é o caso de Los Angeles Verdes da Romana, que já tem planificado para o 24 de Outubro uma grande marcha em bicicleta e um plano de reflorestamento na cidade.
Também temos o apoio de algumas associações empresariais e políticos nacionais que nos estão apoiando com contatos e reuniões com líderes no país.
Se algum leitor quer saber mais sobre a campanha a quem pode escrever?
Nestes momentos, estamos trabalhando com outros jovens em Peru, Panamá, Nicarágua, México, Costa Rica e Porto Rico. Podem-se pôr em contato com a coordenadora da região para 350, Kelly Blynno podem contatar-me a mim diretamente visitando o lugar de 350dominicana.
Crês que os jovens de América Latina devem ainda acordar mais ao risco da mudança climática?
Ainda que existem muitos jovens ativos e inteirados da mudança climática, ainda falta muito para que grande parte da juventude entenda este tema e o que significa para seu futuro próximo.
A outros jovens lhes díría: @lembrar
. Países como Chinesa e Índia se estão opondo a qualquer meta obrigatória, porque querem ver justiça em qualquer acordo, que responsabilize aos países segundo sua história de emissões e seu nível de desenvolvimento econômico.
A única forma de conseguir um acordo justo é que tenhamos uma voz forte como a têm esses países. Devemos ir a Copenhague reclamando também que se crêem fundos para financiar a nossos países que sofreram pela crise financeira atual e não têm recursos suficientes para fazer a transicion rápida a energias renováveis e eficiência energética.
Nosso próprio futuro está em jogo. Se não se faz nada, perderemos as praias do Caribe, os glaciares de Sudamérica, os bosques da Amazônia, as zonas urbanas costeiras e grande parte do patrimônio que nos dá a qualidade de vida que temos hoje.
Os jovens da região devemos unir-nos e conseguir que a comunidade internacional faça o que seja necessário para assegurar um futuro próspero para todos.
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